Vejo muitas discussões em que alguém tenta defender uma atitude errada usando outra atitude errada como argumento.
Mas vamos pensar por um instante.
Se matar alguém fosse justificável apenas porque a vítima também matou alguém, então quem matou o assassino também deveria ser morto. E quem matou esse segundo também deveria morrer. E assim por diante, numa corrente infinita de violência.
Foi justamente para evitar esse ciclo que as sociedades criaram sistemas de justiça.
A justiça existe para que as pessoas não façam justiça com as próprias mãos. Ela busca estabelecer regras, limites e punições definidas pela lei para aquilo que a sociedade considera injusto, seja um roubo, uma agressão, um homicídio ou qualquer outra violação dos direitos das pessoas.
Isso não significa que a justiça seja perfeita. Ela é feita por seres humanos e pode falhar. Mas sua função é impedir que o erro de um seja usado como licença para o erro de outro.
Muitos princípios presentes nas leis brasileiras possuem influência histórica de diversas tradições filosóficas, jurídicas e religiosas, incluindo valores encontrados na tradição judaico-cristã, como a proteção da vida, a dignidade humana e a busca pela justiça.
No fim das contas, um erro continua sendo um erro.
E transformar um erro em justificativa para outro apenas multiplica a injustiça.
Por: Cordeiro Confuso
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