E quando um filho não escuta o pai?
Talvez ele sofra as consequências das próprias escolhas.
Isso também faz parte da vida.
Pai orienta. Mãe orienta. A família aconselha. Mas chega um momento em que cada ser humano precisa tomar suas próprias decisões e descobrir, através das experiências, o que funciona ou não para sua vida.
Afinal, filho não é propriedade dos pais.
Mas existe uma coisa que precisamos admitir:
Nem sempre o pai está certo.
E nem sempre a mãe está certa.
Às vezes, o filho está enxergando alguma coisa que os pais ainda não conseguiram enxergar.
E isso acontece porque cada pessoa olha o mundo de uma posição diferente.
O pai olha com a experiência que acumulou durante a vida.
O filho olha com os sonhos, conhecimentos e possibilidades que existem diante dele.
E aí aparece um conflito.
O pai pensa:
"Isso não vai dar certo."
O filho pensa:
"Mas e se der?"
Quem está certo?
Talvez nenhum dos dois saiba.
Vamos imaginar uma situação.
Uma mãe, por preocupação, pode olhar para o filho e pensar:
"É melhor você não voar. É perigoso. Fique com os pés no chão."
Ela não está necessariamente tentando destruir o sonho do filho.
Talvez esteja tentando protegê-lo.
Mas e se o filho tiver nascido justamente para voar?
Nesse caso, a proteção pode acabar se transformando em uma prisão.
E é aí que precisamos entender o contrário da coisa.
Às vezes, o pai precisa ensinar o filho a não desistir.
Mas às vezes o filho também precisa ensinar o pai a enxergar uma possibilidade diferente.
Isso não significa desobedecer por desobedecer.
Significa pensar.
Questionar.
Analisar.
Assumir responsabilidade.
Se uma escolha der errado, haverá consequências. Isso faz parte da natureza da vida.
Mas se der certo?
Talvez aquela escolha que o pai tanto temia seja justamente aquilo que fará o filho crescer.
Por isso, pais, não tenham medo de dizer:
"Eu posso estar errado."
E filhos, também não tenham medo de dizer:
"Pai, talvez você esteja enxergando apenas um lado."
A relação entre pais e filhos não deveria ser uma disputa para descobrir quem manda.
Deveria ser uma parceria entre experiências diferentes.
O pai tem histórias que o filho ainda não viveu.
O filho pode enxergar um futuro que o pai ainda não imaginou.
E talvez a maior demonstração de amor de um pai seja justamente essa:
ensinar o filho a voar sem exigir que ele voe exatamente para onde o pai queria.
Porque criar um filho não é construir uma cópia de nós mesmos.
É ajudar outro ser humano a descobrir quem ele pode se tornar.
E se um dia ele escolher um caminho diferente do nosso?
Respire.
Talvez seja apenas a vida mostrando que aquele filho também possui asas.
E às vezes, para descobrir se sabe voar, é preciso ter coragem para sair do ninho. 🫵
Continua...
— Cordeiro Confuso
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